Diversos motivos podem levar uma pessoa à arrogância. Mas, seja qual for a razão, mesmo se tratando de uma atitude temporária e não de uma característica integrante da personalidade, a arrogância nunca é uma coisa benéfica.

Posso dizer, por experiência própria, que o pior tipo de arrogância é aquela que surge como um escudo para esconder nossas fragilidades, uma proteção que criamos quando nos sentimos vulneráveis, com dificuldade de lidar com o novo e inesperado.

Esforce-se para lembrar se, em algum momento de sua vida, você também já não passou por situações em que se sentiu exposto e, numa atitude defensiva, escolheu a armadura da arrogância e a criação de uma nova persona. Comigo aconteceu algumas vezes ao longo do meu caminho de aprendizado, mas a experiência mais marcante foi nos meus primeiros contatos com o Vale do Silício – região mais inovadora do mundo onde foram criadas empresas como Apple, Google, Facebook entre tantas outras.

Logo quando me mudei para lá, em maio de 2013, deparei-me com um ambiente extremamente aberto, onde as pessoas compartilhavam suas experiências como se fossem velhos amigos, mesmo tendo apenas acabado de se conhecer. A vontade de colaborar também fazia parte do dia a dia deles; algo tão diferente da minha cultura de “guardar a sete chaves” uma ideia para não a ver roubada e executada por outro.

O mais incrível é que aquele era um ambiente de extrema incerteza, onde coisas improváveis aconteciam com frequência; não havia muitos padrões a registrar, apenas aquele ambiente que até aquele momento parecia uma brincadeira para mim. Os chamados nerds é que dominavam o ambiente com suas habilidades em criar, desenvolver e utilizar as mais diversas tecnologias. Eram considerados verdadeiros heróis.

Ora, desde a infância, eu poderia me considerar um herói para os padrões de onde cresci: no Brasil, lugar em que o futebol é a paixão nacional, eu sempre tive um considerável talento para tal esporte. Ser “bom de bola” me trouxe certa fama, prestigio e uma boa reputação. Mas ali, entre as mentes do Vale do Silício, eu estava fora da minha zona de conforto, imerso em um ambiente onde eu não dominava os temas em discussão – um verdadeiro peixe fora d’água.

O que fazer nesta situação? Não tive dúvidas: sem pensar, escondi-me atrás da minha arrogância e disse para mim mesmo que eu estava certo. Eu me iludi na certeza de que aquelas pessoas ainda não sabiam o que estavam fazendo por não passarem de verdadeiras crianças, dizendo que iriam mudar o mundo, mas, no fundo, nem sabiam o que era o mundo de verdade.

Passados alguns meses, eu e minha arrogância permanecíamos na ignorância. O resultado foi pior do que não aprender; parecia que eu estava desaprendendo. E era verdade! Hoje sei que, naquela fase, desaprendi. Só percebi isso quando me dei conta de minha vulnerabilidade e, consciente da besteira que estava fazendo, consegui confrontar minha arrogância, deixando-a de lado e interagindo de peito aberto com aquele ambiente por meio de uma recém descoberta humildade.

Após me desarmar, o mais impressionante dessa experiência foi descobrir o quanto aquelas pessoas, as quais eu tanto sentenciei, haviam me acolhido de braços abertos, sem me julgar ou as minhas premissas.

É fato: eu havia passado alguns meses desaprendendo. Hoje, acho que posso trocar essa palavra pelo termo desconstruindo. Eu estava desconstruindo algumas das crenças que adquirira nos limites das minhas perspectivas anteriores… e esse processo foi fundamental para o meu crescimento e aprendizado. Quebrei algumas barreiras e paradigmas que a vida havia colocado em meu caminho e passei a viver livre para aprender a todo momento.

Estar vulnerável não é mais um problema para mim, ao contrário. Sempre procuro encara o fato de eu não saber algo de uma forma positiva, pois é sempre uma oportunidade de aprender mais e evoluir em todos os sentidos.

Quis compartilhar minha experiência com você porque não me envergonho dela. Por causa dela – e por tê-la encarado e superado – mudei meu modelo mental e passei a viver uma vida pautada em novos valores e em um objetivo central: buscar tornar-me um ser humano melhor todos os dias!

Quero deixar a seguinte reflexão: você anda se escondendo atrás de sua arrogância?

Esteja sempre pronto a aprender e evoluir o seu modelo mental, quebrando os paradigmas que a vida lhe trouxer. A desconstrução é uma das chaves para a evolução!

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Fui turma, até a próxima reflexão! #HandsOn :)