Quando a casa da avó vira Clube de Negócios para as startups

A casa da vovó Olímpia, que faleceu em 2012, ficou ociosa na Vila Mariana, capital paulista, e tive um insight de aproveitar a oportunidade de transformar aquele endereço de doces lembranças da minha infância para ancorar e alavancar sonhos, projetos, carreiras, negócios e atrair startups, lideradas por uma juventude criativa e de vanguarda, que acredita num novo Brasil. Levei dois anos para convencer as duas herdeiras. Mas valeu a pena.

E o ninho da vó, em novembro de 2014, emergiu no ecossistema da Tecnologia e da Inovação como o Clube de Negócios, um escritório compartilhado, multifuncional, que oferece um ambiente agradável e bucólico, que consegue filtrar a neurose e o agito da metrópole, e ainda se apresentar de forma mais leve e acessível financeiramente às startups, graças a sua proposta diferenciada.

O vínculo familiar e suas raízes criaram uma atmosfera positiva para abrigar esse pequeno celeiro de novas empresas. E uma rede de novas conexões profissionais foi criada e fortalecida de forma que o empreendedor nesses tempos bicudos não precisasse se preocupar com o aluguel, o fiador e uma lista de obrigações e contas a pagar. E tudo isso tem estimulado um número maior de novos empresários a darem adeus à solidão do home office e abandonarem o rótulo da empresa de garagem.

Mentor: inspira e influencia

Para agregar valor aos negócios, o espaço, que oferece mesas de trabalho compartilhadas, salas de reuniões, serviços de telefonia, internet, impressão, cafeteria, com direito a Networking, e mimos, como jogos, churrascos e festinhas de confraternização, a partir de agosto redesenhou seu portfólio de serviços. E diversificou seu mix, com serviços presenciais e online de mentorias para aprimorar as startups nas áreas jurídica, contábil, estratégica, social, comportamental, educacional, entre outras.

No time de mentores, está Bruno Diniz, representante da Next Bank Brasil; Rodrigo Hernandes, realizador do projeto Cuíca, com foco na Educação, por meio da Cultura, Inovação e Cidadania, em Santos (SP); André Tanesi, CEO da descola.org; o designer thinking Thiago Gringon, diretor de encantamento da Kreakatali; Sabrina Leme, Relações Internacionais (da Ashoka); Roberto Padilha, professor de Marketing nos cursos oferecidos pela Faculdade de Tecnologia do Estado de São Paulo (Fatec)/Sebrae-SP; o advogado Leonardo Messias (da ActServ); o coaching Guilherme França (da Sow Coaching); o designer de produto Sami Reininger (da Sam’s Design), entre outros. O objetivo das mentorias é aprimorar essas micro-organizações antes que se submetam aos processos de aceleração.

Origem grega

É curiosa a origem do termo mentor. Veio do grego e foi escrito no século VIII, Antes de Cristo, em Odisseia, um clássico de Homero, que já mencionava a importância desse conceito. A obra fazia referência à figura mítica de Mentor, amigo e conselheiro de Telêmaco, que o apoiava enquanto o pai, Ulisses, estava ausente na guerra de Tróia. E foi assim que a palavra mentor virou sinônimo de alguém que compartilha sua sabedoria, experiência e conhecimento com colegas menos experientes ou uma espécie de guia ou guru.

Plano de vôo

O papel do mentor pode ser comparado nos dias atuais como um parente próximo, como o pai ou o avô, um professor, um líder, um poeta, um filósofo, um humanista, o autor de um livro, uma personagem fictícia e até uma celebridade. Podem estar próximos ou distantes. Serem de carne e osso ou terem origem na imaginação. O mentor de Alexandre, o Grande, rei grego da Macedônia, foi Aristóteles; o de Martin Luther King foi Gandhi; o de Jim Collins foi Peter Drucker, e assim por diante.

Um mentor no ambiente do empreendedorismo tem o poder de inspirar e influenciar, ao encorajar e permitir o jovem executivo, que queira construir seu plano de vôo rumo ao seu alvo, alavancar negócios, projetos e oportunidades. Avalio que essa é uma fase em que o empreendedor precisa vencer novos desafios e caminha rumo ao seu sonho como se andasse no escuro. O risco de fracasso pode levá-lo a desistir de um bom projeto e ter uma equipe ao seu lado, que o apoie nessa difícil missão, para construir atalhos, pontes, conexões, faz toda a diferença.

O mentor é aquele que orienta o empreendedor a se desenvolver tanto a pessoa quanto o profissional, contribuindo com seu projeto. É importante que as duas partes se complementem, já que é uma relação de cumplicidade e confiança. A proposta é construir redes sólidas de networking para que as startups consigam aumentar recursos e o acesso ao mercado e às informações, ampliando as chances de essas empresas serem bem-sucedidas em processos seletivos de aceleradoras e rodadas de investimento.

E eu nessa empreitada que procurava novas oportunidades profissionais para me desenvolver acabei virando a minha própria chefe, na companhia do Gustavo, meu irmão, que é economista, e meu sócio. Ah, quanto à dona Olímpia, sinto uma saudade gigante, mas sei que, onde estiver, torce pelo sucesso dos netos e, como um anjo da guarda pé quente, tem nos ajudado a sair desse cenário de recessão por cima. Amém!

Laura Gurgel

Laura Gurgel

Sobre nossa Convidada:

Laura Gurgel, co-fundadora do Clube de Negócios, é graduada em Relações Internacionais pela PUC-SP e atuou em diversos escritórios de representação internacional, como Câmaras de Comércio, passando por órgãos públicos, startups, como a 99Taxis, órgãos de fomento e na Anjos do Brasil. Estuda na primeira turma do curso superior de Gestão de Negócios & Inovação da Escola de Negócios Fatec/Sebrae-SP.

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Capa: Pixabay