Rodrigo Barros*

10 sugestões de como o governo brasileiro pode fomentar a inovação e o empreendedorismo, contando com a força da livre iniciativa para enfrentar a crise

Falar sobre governança e estrutura de governo nesse momento político-econômico do Brasil é como dar “murro em ponta de faca”. Mas o fato é que precisamos seguir e evoluir.

Colocando os holofotes na inovação, acho interessante acompanhar o discurso público sobre apoio ao empreendedorismo. A maioria maciça das pessoas ligadas ao assunto nas instituições públicas afins nunca passou pelo processo de abrir um CNPJ, nem criou qualquer produto, ou mesmo trabalhou em uma empresa da iniciativa privada, mas está liderando ou deliberando sobre projetos de fomento ao empreendedorismo brasileiro.

No período em que morei no Vale do Silício (2013/2014), recebi a visita de representantes de entidades, servidores públicos, secretários estaduais, de ministérios e outras  instituições ligadas ao governo brasileiro, como é o caso do  BNDES. Eles buscavam uma ponte para entender a dinâmica e os segredos daquela cultura e, de alguma forma — cada um dentro de seu escopo — aprender e replicar modelos.

Em primeiro lugar, o Vale do Silício não será replicado. Os fatores que convergiram para tornar aquele ecossistema tão incrível não podem ser fabricados. Mas, é claro que temos muitas lições a apreender, adequar e replicar em nossa realidade sobre aquele modelo mental. É preciso, porém, enxergar as variáveis do nosso contexto — pois cada ecossistema possui suas próprias características — e transformar em oportunidades os potenciais que elas oferecem individualmente ou combinadas, num processo coerente de gestão da inovação.  

Pois bem, à época, quando essas entidades e pessoas me explicaram os modelos dos seus programas de fomento, a primeira característica que ficou explícita para mim foi o excesso de burocracia para se começar um negócio. Ora, se você, Governo, quer apoiar as startups, o empreendedorismo e a inovação, precisa entender que o primeiro passo é desburocratizar. Este deve ser o seu principal papel. Ou seja: antes de querer ajudar, pare de atrapalhar! Entenda que as inovações irão surgir de acordo com a adesão do mercado consumidor e você, “Governo”, deve apenas não atrapalhar esse movimento.

Mas, se você, “Governo”, reconhece a importância do fomento ao empreendedorismo e à inovação, e principalmente seus potenciais de colaboração para o enfrentamento da crise instalada, e quer mesmo ajudar, aqui vão algumas sugestões:

  1. Reduza a 0% os tributos no primeiro ano de empresa, introduzindo-os gradualmente, conforme faturamento, a partir do segundo ano;
  2. Reduza as taxas de abertura de empresas;
  3. Torne possível a abertura de uma startup em 48h, por meio de um modelo convencional;
  4. Crie espaços gratuitos de trabalho com acesso 24h ininterruptas e com infraestrutura básica de tecnologia (sim, muitos irão trabalhar nas noites, madrugadas e fins de semana);
  5. Disponibilize linhas de crédito acessíveis aos estudantes com projetos ligados à inovação;
  6. Facilite e incentive a entrada de estrangeiros e a emissão de vistos temporários para quem quer trabalhar em inovação (diferentes culturas e visões potencializam o amadurecimento do ecossistema);
  7. Crie deduções no Imposto de Renda como incentivo aos investimentos em startups;
  8. Desenvolva um modelo de governança corporativa para startups que facilite ao investidor vender/transferir suas cotas e reinvestir em outras empresas, contemplando também os aspectos tributários;
  9. Permita que a inovação seja criada sem incidências de encargos e outras taxas, para que as startups tenham uma maior curva de crescimento e atinjam maior escala em menos tempo, gerando riquezas ao país;
  10. Não regule projetos altamente inovadores, como drones, células, sensores e tantos outros. Permita que eles sejam criados, implementados e validados pelo mercado.

Sei que a atual crise brasileira é muito mais que econômica, e já escrevi sobre isso. Mas, acredito que o apoio a startups e à inovação/empreendedorismo seja uma das grandes saídas para a recessão, dentro do contexto global. Será por meio do empreendedorismo e da inovação que o Brasil conseguirá aumentar a qualidade de vida do brasileiro, melhorar a renda média, dar acesso à educação, à saúde e à segurança — necessidades básicas para a vida do povo e para o desenvolvimento do país. E tem mais: muitos dos problemas ligados às políticas públicas podem ser solucionados por meio de novas tecnologias e ideias exequíveis, muitas vezes bem simples, de empreendedores inovadores.

Vamos lá, Brasil!

RB

*O autor é empresário brasileiro, fundador e CEO da HandsOn.TV (Vale do Silício) e idealizador e apresentador do HandsOn Startpup Tour, maior competição de startups da Europa.

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