Os desafios de ser inventor autônomo no Brasil

Ser inventor autônomo não é moleza. Uma invenção tem tantos filtros pelos quais passar que isso gera longos períodos de descoberta até se chegar a uma inovação propriamente.

Confiança é fundamental, mas também a relevância da criação. Toda pessoa, ao criar alguma coisa, precisa pensar: “Isto realmente economiza tempo e dinheiro? Já não existe? Realmente funciona ou é realmente necessário? Aplica-se a um mercado grande o suficiente? Esse mercado quer pagar pelo quanto eu estou pensando em pedir?”.

Ser inventor requer pelo menos um pouco de conhecimento em design, prototipagem, patentes, análise de materiais, produção, importação/exportação, análise de custos, marketing, gestão de dinheiro, gestão empresarial, direito dos contratos …

Requer também estar preparado e se acostumar com respostas do tipo: ”não temos capital”, “já temos nossos próprios projetos”, a “crise está feia”, “investimos somente em curto prazo”, “não trabalhamos com essa linha de produtos”, “não trabalhamos com licenciamento”, “não queremos ter de buscar clientes, fornecedores, para este produto”, “trabalhamos só sob encomenda”, e por aí vai.

No Brasil, não existe programa que apoie, no sentido exato desta palavra, o inventor independente, pessoa física, com recursos para que ele possa realizar um estudo de viabilidade técnica e econômica de seu projeto e desenvolvimento de um protótipo físico. Há quem sempre sugira instituições como o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), o Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) e Fundações Estaduais de Amparo ao Ensino e à Pesquisa.

Mas os programas de apoio são voltados apenas para empresas, pessoas jurídicas com CNPJ, como se o foco devesse estar somente em empresas e não na inovação e qualidade do projeto, que – nascido ou não dentro de uma empresa – pode ajudar as pessoas e trazer muito imposto de renda ao país graças aos royalties que o produto criado e blindado com a patente pode gerar.

Quando algumas dessas instituições chegam a “apoiar” o inventor independente, se você sondar direito o programa, ele não se trata de apoio coisa nenhuma, e sim de um negócio como outro qualquer – e dos piores para o inventor. Exemplo: há fundações de amparo que, se julgarem sua invenção com bom potencial de mercado, arcam com os custos de depósito do pedido de patente e pela administração da sua patente, pagando pelas anuidades que hoje estão em torno de R$ 80,00 a R$ 100,00 ao ano, até que a carta-patente seja concedida (depois que a carta-patente é concedida as anuidades aumentam progressivamente a cada ano).

Em troca de pagar por essas taxas de serviços do INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial), fundações de amparo costumam reivindicar a cotitularidade da patente e dos direitos de participação comercial sobre a mesma. Ou seja, investem uma mixaria no seu projeto, normalmente não te ajudam a divulgá-lo nem a mediá-lo numa eventual negociação; nem a desenvolver o protótipo, tampouco a fazer um estudo de viabilidade comercial, não tendo tido ainda nenhuma participação na concepção da ideia. Mas se seu invento milagrosamente gerar royalties pesados graças aos seus heroicos esforços, eles ficam com uma boa fatia do bolo.

Bem difícil entender onde a palavra “apoio” se encaixa nessa tratativa. Dar apoio a uma pessoa não é o mesmo que fazer negócios com ela, só que isto no Brasil é convenientemente misturado.

As invenções

É estranho, mas eis o cenário: de acordo com a Organização Mundial de Propriedade Intelectual, mais de 60 % de tudo o que foi inventado ou aperfeiçoado no mundo até hoje foi a partir de inventores autônomos. Outra estimativa aponta que menos de 3% de tudo o que é inventado no mundo consegue chegar ao mercado. No Brasil, não há a preocupação com uma boa ideia vinda de anônimos, pessoas físicas. Se você não está conveniado a um centro de pesquisa, universidade ou qualquer outra empresa privada, não receberá um centavo do governo e terá de trilhar um caminho solitário, pedregoso e quase sempre demorado até encontrar – se encontrar – um parceiro para seu projeto.

Será que me intimido? De jeito nenhum, a paixão, a perseverança e o aprendizado contínuo falam mais alto! Trabalhando como inventor autônomo há cerca de 4 anos, tenho, até o momento, 4 patentes depositadas no INPI disponíveis para licenciamento. São elas (bem resumidinhas):

Imagem, meramente, ilustrativa cedida pelo inventor

Imagem meramente ilustrativa, cedida pelo inventor

1- Sistema de Cooperação no Trânsito:

Aparelhinho eletrônico de comunicação instantânea que alerta, com frases curtas e objetivas, qualquer problema/situação identificável em um veículo ou nas estradas.

A comunicação é feita com outros usuários que também tenham o aparelho, o qual não depende, necessariamente, de internet, cujo sinal é ruim em certos locais e nos quais a troca de sinais e gestos entre motoristas é imprecisa.

Alguns exemplos de mensagens: luz de freio queimada, pneu murcho, luz de ré queimada, emergência, pessoa doente no carro, acidente/animal/deslizamento, incêndios, chuva forte à frente, etc. Também permitirá a comunicação entre órgãos de Governo e motoristas, campanhas de educação no trânsito…

2-Sensor lateral para proteger rodas e pneus junto ao meio-fio:

Um sensor que avisa o momento em que o condutor está próximo de esbarrar o pneu ou roda junto ao meio-fio, em qualquer tipo de movimento (com ou sem uso de marcha-ré).

Esse produto é uma “mão na roda”. Muito mais simples e barato que projetos complexos e caríssimos, como o Park Assist e o Intellisafe, ele atende a uma necessidade de modo mais completo, se comparado com retrovisores elétricos do tipo tilt down.

3- Protetor de unhas para portadores de onicofagia (hábito de roer as unhas):

É uma película que reveste as unhas do usuário de forma elegante e discreta, sem causar desconforto algum, pois cobre apenas as unhas sem perder a sensibilidade dos dedos e pode ser usada por homens e mulheres.

4- Lixa para unhas três em uma:

Imagem, meramente, ilustrativa cedida pelo inventor

Imagem, meramente ilustrativa, cedida pelo inventor

Trata-se de um produto inédito cuja extremidade é arredondada e fina. Suas funções consistem em uma parte para dar brilho e outra para lixar a superfície das unhas. Entre as pontas, no cabo dessa lixa, há uma superfície circular para lixar o contorno da unha com diversos graus de aspereza — espessura em sua circunferência, conforme preferência do usuário. Seu formato anatômico impede esfoliações na pele ao lado da cutícula.

Mas que vantagens um empresário teria em investir num produto protegido por patente?

A falta de conhecimento de novos produtos e dos benefícios de se explorar uma patente de um inventor é uma espécie de ignorância que custa ao comércio e à indústria milhões de reais anualmente. Quando a ideia do inventor comprova-se viável, é muito barato e lucrativo ao empresário fazer parceria com o inventor, principalmente se levarmos em conta a originalidade do projeto e exclusividade de produção e comercialização, estando livre de concorrência por até 20 anos. O empresário tem ainda valorização do patrimônio intangível de sua empresa, maior valor agregado e condições de enxugar os custos jurídicos de administração da patente, e os de P&D.

Saiba mais:

Vídeo da prova de conceito feita em Arduino do Sensor para Rodas

http://cl.ly/1a2b1F37113P?_ga=1.39114144.2010131969.1431280954

Vídeos em que o inventor explica a proposta de seus produtos:

https://www.youtube.com/playlist?list=PLKxIUmrAo8wp4QCpHekwWZbGRHQb7DJSI

 

Paulo Gannam

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