Os desafios de se criar uma startup na Amazônia 

O que vou escrever aqui é apenas a minha opinião, nada de verdades absolutas, apenas o modo como vi e vejo os desafios de se criar uma startup… na Amazônia.

O “Amazônia” no título foi só pra dar um charme ao texto, o foco da nossa conversa é a cidade de Manaus, capital do estado do Amazonas.

Há mais ou menos uns dois anos atrás, descobri em uma conversa com um amigo, esse tal de modelo de startup. Na época não sabia nada de como criar uma empresa tradicional, quanto mais uma baseada em novos conceitos, mais modernos, de planejamento e execução de uma ideia.

Pois bem, fui lá e imergi em livros e eventos para entender melhor as características do ambiente em que estava começando a me inserir. Nesse momento é o famoso “esqueça tudo que você aprendeu na faculdade”, e infelizmente no Brasil isso fica mais acentuado, pois a academia não te ensina criar seu próprio negócio, ou melhor, a ser empreendedor, que é bem diferente de ter um negócio.

Após ter uma certa segurança de onde estava me metendo e o que estava fazendo, decidi executar minha própria ideia. Junto com amigos da faculdade, pensamos em algo que tivesse haver com a nossa realidade, nada de fazer algo totalmente previsível, a ideia era mudar os parâmetros.

Ficou curioso pra conhecer qual é nossa startup, não é? Pois é, este post não é aquele mecenas em que o autor dá uma volta pra no final citar a sua empresa, relaxem.

Depois de uma tentativa, decidimos pivotar pela primeira vez, e isso foi bom, tanto pela necessidade de se fazer isso quanto por sentir que estávamos seguindo os modelos de criação de uma startup, que diz, se as coisas não estão dando certo, deve-se pivotar (mudar os rumos), sem desistir.

Uma porrada daqui, uma porrada dali, uma mentoria que deixa agente sem resposta para as indagações acolá e fomos superando os desafios tanto internos da equipe, (afinal, pessoas são o ativo mais valioso de qualquer startup, mas também o mais complexo e difícil de lidar), quanto também da formatação e execução do nosso modelo de negócios.

Em vias disso, eu poderia simplesmente jogar a responsabilidade em situação A ou B, ou no modo como Manaus ainda vê o ecossistema empreendedor (empreendedorismo não são apenas as startups), mas não irei fazer isso não. Lógico que o fator socioeconômico de nossa linda ex-Paris dos Trópicos ainda está longe de favorecer-nos a criar uma empresa de base tecnológica ou uma barraquinha de churrasco na esquina, mas tudo tem um começo. Há dois anos atrás nem sabia o que era pivotar e agora já até fiz isso na prática.

Eu diria pra você caro leitor, que a diferença de se criar uma startup aqui em Manaus para se criar uma em São Paulo é simples: lá (SP) o nível de exigência é mais alto, porém, o mercado e o ecossistema também é maior. Em Manaus também temos ideias tão boas quanto as da maior cidade da Brasil, com a diferença de que aqui se você quer colocar em prática uma ideia, terá que ter o dobro de persistência pra enfrentar um ecossistema ainda em desenvolvimento e um mercado um tanto quanto filial, em que as decisões, mesmo as das grandes empresas da ZFM, não são tomadas aqui e sim, invariavelmente, em São Paulo.

Por esta razão eu digo, tenhamos orgulho de sermos daqui e estarmos criando algo novo, imaturo é verdade, com muitas ideias que às vezes são só ideias, sem qualquer formatação de negócios, mas que como tudo que é recém-criado também tem muito para evoluir com o tempo e isso irá trazer as oportunidades de mudança para nossa mentalidade enquanto cidade.

É um processo longo e árduo, mas que tem suas recompensas, afinal, existe muito em Manaus a ser explorado, e isso para qualquer segmento de negócios é fundamental.

Alber Pascoal

Alber Pascoal

Sobre o convidado:

Alber Pascoal

Publicitário, interessado em Comunicação Mercadológica e Institucional com experiência na área de criação publicitária e Social Media.

http://blog.expertze.com.br/

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