Entenda como o documentário O Dilema das Redes faz refletir sobre redes sociais

Para quem assina a Netflix, viu na lista de recomendação ou no Em Alta o documentário O Dilema das Redes. Se pelo menos não viu na própria Netflix, viu posts nas redes sociais das pessoas comentando sobre o que assistiram.

Muito se deve porque o documentário fez muitas pessoas refletirem sobre as redes sociais e o uso delas. Até porque o filme traz entrevistas com engenheiros de computação, executivos e profissionais das principais redes do mercado. E muitos trouxeram visões e afirmações que assustaram muita gente. Uma delas, inclusive, envolve o fato das redes serem tão nocivas, que os próprios profissionais não deixam seus familiares usarem. 

Apesar do tema já ser antigo, e já ter rendido diversas análises e reflexões, parece que ouvir/ver diretamente dos profissionais mexeu com muita gente. Fazendo até com que muitas pessoas se desligassem das redes de uma vez.

No entanto, se por um lado as reflexões trazidas pelo O Dilema das Redes parecem ser positivos – afinal, estão mostrando uma realidade perigosa – também pode gerar um estresse ainda maior. Estresse esse que as próprias redes criaram. 

Os usuários são produtos 

Por mais que as redes sociais transmitem a sensação dos usuários serem donos de tudo o que acontece, é mostrado que não é bem assim. Cada usuário, por mais que se sinta o cliente de uma loja, está mais para o produto

Afinal, as redes sociais estão mais para uma área explorada por outras empresas para usar o usuário como uma ferramenta. Empresas essas que buscam e estudam seus gostos, sua personalidade, suas opiniões, suas atitudes, e tudo para apresentar o anúncio ideal

Devido a isso, as redes sociais criam estruturas em suas plataformas para prender a atenção do usuário mais e mais. Até porque, quanto mais tempo na rede, mais anúncios aparecem. Consequentemente, mais lucro essas plataformas recebem. O Dilema das Redes mostra pequenas estratégias, como as notificações ou grandes, como a questão de não existir fim no feed.

“Trata-se de um mercado que negocia exclusivamente o futuro do ser humano”, afirma Soshana Zuboff, aposentada professora de administração de negócio. Com isso, o documentário faz o público perceber o quão falsa é a sua autonomia. 

Fake news e seu poder mais nítido 

Desde a sua criação, a internet foi se mostrando ser, cada vez mais “a terra de ninguém”. Onde qualquer um pode postar o que quiser, podendo não sofrer consequências. O que resultou em um crescimento significativo das notícias falsas

Quanto ao assunto, O Dilema das Redes apresenta muito da luta da ex-designer ética do Google, Tristan Harris. O documentário mostra a profissional tentando persuadir congressistas americanos sobre os malefícios do uso indiscriminado das redes. 

Isso coloca uma reflexão sobre o usuário estar no mesmo nível de um descrente da ciência, por exemplo. Porque, pelo o que apresentam, esses dois tipos de usuário alimentam o mesmo sistema. Um compartilhando a notícia falsa e o outro reclamando do compartilhamento da notícia falsa. 

Justamente esse meio se mostrou um mercado interessante para as redes sociais. De acordo com o que Harris apresenta em O Dilema das Redes, as notícias falsas são compartilhadas mais vezes e de forma mais rápida do que uma notícia verdadeira. E, por causa disso, as redes sociais passam a não se preocupar tanto com a veracidade das informações, já que os cliques são mais importantes. 

O Dilema das Redes e seu exercício reflexivo 

Com esses pontos, o documentário da Netflix coloca um ponto de atenção em cada espectador/usuário. Pontos, inclusive, sobre algo que não necessariamente está à altura do usuário em si, que é um mero participante de um sistema mercadológico muito maior. 

Ainda assim, ele apresenta um universo não muito claro aos usuários, que, podem não desistir das redes. Mas podem passar a refletir mais sobre o funcionamento de algumas estratégias e decisões de empresas como Facebook, Instagram e Twitter, por exemplo. 

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