YouTube é alertado para interromper impulsionamento de vídeos com desinformação climática

Na última segunda (27), Sundar Pichai, CEO do Google, recebeu uma carta exigindo mudanças quanto ao impulsionando de vídeos com desinformação climática.

A carta é uma resposta ao relatório divulgado no dia 16, que apresenta dados sobre a recomendação desses conteúdos.

A carta foi enviada por Kathy Castor, representante democrática da Flórida e presidente climática dos EUA. Além do pedido, Kathy lamenta os resultados do relatório, e afirmam que os algoritmos da plataforma estão motivando as desinformações.

“No passado, o YouTube era proativo em responder as ameaças causadas pela desinformação nociva compartilhada em sua plataforma. No ano passado, por exemplo, a empresa removeu incentivos econômicos a canais que promoviam a anti-vacinação. Argumentando que conteúdos deste tipo violam as regras de monetização de vídeos com conteúdo perigoso e nocivo”, disse a democrata.

A desinformação retratada pelo relatório

O relatório desenvolvido pela organização sem fins lucrativos, Avaaz, calculou até onde a plataforma realiza essa divulgação. Depois de analisar 5.000 vídeos, foi constatado que 16% continham informações incorretas. Isso quando o assunto era aquecimento global.

Quando a pesquisa envolvia mudança climática, a porcentagem caía para 9%. No entanto, em pesquisas de manipulação climática, a quantidade atingia os 21%.

A análise percebeu que esses vídeos tem mais visualizações e mais curtidas comparado com outros. A empresa também identificou 108 marcas diferentes com inserções nos vídeos contendo fake news. O curioso é que, um a cada cinco anúncios era de uma marca “verde” ou “ética”.

Os dados citam os algoritmos como os principais culpados. “Para cada vídeo com informações falsas sobre clima que alguém assiste ou gosta, é provável que um conteúdo semelhante apareça nas recomendações”, informa o relatório.

Os dados também não estimam os valores que envolveram toda a divulgação. No entanto, é possível realizar uma estimativa. Presumindo que um custo por clique é, em média, US$ 8 e que todos os vídeos foram monetizados, a plataforma arrecadou cerca US$ 75.000. E, seguindo a matemática de 45% para a plataforma e 55% aos criadores, os donos dos conteúdos arrecadaram US$ 92.000.

No passado, a plataforma tentou reduzir as desinformações com caixas de informações nos vídeos. Entretanto, a Avaaz observou que essas caixas – quando aparecem – direcionam para artigos de termos gerais no Wikipedia. E não indicam que os vídeos podem estar errados.

FONTES

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