Recentemente, postamos que o Uber Eats foi considerado o melhor app de entrega pelo Proteste. E isso graças ao fato da cultura do aplicativo de delivery de comida ter crescido há alguns anos. Tanto que, atualmente, tornou-se comum ver motociclistas com uma caixa térmica do Ifood ou do Rappi nas costas.

Está claro como aplicativos de delivery de comida se expandiram. E isso tanto no Brasil quanto no mundo.

“Tornar a vida melhor para todos”. Esse é o principal propósito de Wang Xing, co-fundador da Meituan Dianping, a maior empresa de entrega de alimentos do mundo. Inclusive, nos últimos anos, o serviço de transporte foi o principal chamariz entre os aplicativos.

Porém, as viagens de carros estão sendo desafiadas pelos aplicativos de delivery de comida.

Apesar de servir pizzas não parecer mais importante do que “dar carona”, este tipo de serviço aumenta a demanda por trabalhos pessoais em duas rodas. E isso está se tornando uma revolução cultural. E, afinal, como qualquer outra revolução, está acontecendo nas ruas.

No ano passado, motoristas do Uber Eats realizaram um protesto na frente do escritório deles, em Londres. O protesto foi em prol da redução na taxa básica de entrega das refeições. Contudo, como a plataforma trata esses motoristas como prestadores de serviço ao invés de funcionários, ela pode alterar os termos com mais facilidade.

Sobre isso, a plataforma de alimentos GrubHub derrotou uma reivindicação de um ex-motorista por direitos trabalhistas no início do ano. Aliás, o objetivo foi provar que a empresa exercia pouco controle sobre ele.

As mudanças dos aplicativos de delivery de comida

Diante do serviço, a estratégia vai além de simplesmente tentar oferecer refeições mais baratas. E isso gera uma competição entre os próprios aplicativos. Todos procuram reduzir o preço o suficiente para persuadir os consumidores a pararem de cozinhar em casa.

Refeições sob demanda são atraentes, principalmente em cidades com apartamentos pequenos. Além de ter se tornado mais fácil encomendar o alimento ao invés de dedicar um tempo para prepara-lo.

Porém, há ainda um abismo financeiro. Apesar de toda a facilidade ao pedir o alimento, a média de preços de entrega mostra que ainda é mais barato cozinhar em casa. O primeiro passo para diminuir essa lacuna foi obtido pelas plataformas de aplicativos.

Tocar em mão de obra barata e flexível é essencial para o modelo. A falta de benefícios de emprego – como pagamento por doença e licença remunerada – reduz os custos de mão de obra entre 20% e 30%. No entanto, a indústria continua madura para cortes de custos e racionalização.

Uma ineficácia é a necessidade de coletar refeições de restaurantes dispersos. O próximo passo então e a criação de cozinhas escuras. Nada mais do que instalações separadas de restaurantes que preparam exclusivamente as refeições para os aplicativos de delivery de comida.

O sonho das plataformas de alimentos, no caso, seria uma produção parecida com a de fábricas de roupas. No entanto, todas essas mudanças envolvem custo humano.

No caso, o que aconteceria com os motoristas que trabalham para esses aplicativos de delivery de comida? O que significaria aos restaurantes de rua que dependem cada vez mais da entrega para complementar as receitas dos restaurantes? Com o ritmo dos acontecimentos, essas não são preocupações inúteis.

No Brasil

Apesar das discussões abrangerem uma geografia maior, para nós, brasileiros, o cenário não é tão diferente. De acordo com o IFB (Instituto FoodService Brasil), 80 milhões de consumidores passam pelos quase dez mil estabelecimentos do país. Já para a Abrasel (Associação brasileira de bares e restaurantes), isso vai além, afirmando ter mais de um milhão de estabelecimentos.

Não só isso, o serviço de aplicativos de delivery de comida é o único presente em todos os municípios do país, superando bancos e igrejas. Dentro disso, há uma questão de atingir clientes do interior, abrangendo as entregas e aumentos os empregos.

FONTES 

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