O Snapchat voltou. E, mesmo depois do aplicativo ter sofrido muitas quedas, ele está muito bem. Pelo menos essa é a mensagem que a empresa quis transmitir quando realizou um evento no início de abril, em Los Angeles.

No evento, o Snapchat mostrou novas ideias criativas para atrair novos usuários. Dentre elas, uma plataforma de jogos no próprio app e até publicações chegando a aplicativos externos, como o Tinder.

No entanto, o principal destaque foi o recurso chamado Landmarkers. A funcionalidade permite misturar o mundo ao seu redor com filtros de realidade aumentada. E em tempo real. 

Caso você visite a Torre Eiffel, por exemplo, é só tocar e segurar a área da câmera que aparecerá novos filtros especiais. Algo parecido com o que funciona no Instagram Stories

Depois de aparecer a lista de filtros, selecione um e o Snapchat vai adicionar outra realidade àquela imagem. Na demo, o filtro fez com que a Torre Eiffel vomitasse um arco-íris. E o Flatiron Building, em Nova York, ficou coberto de pizza 3D. Além de outras possibilidades psicodélicas, como edifícios que criam olhos e longos pescoços. 

O curioso é que esses novos filtros são dirigidos pela própria comunidade. Ou seja, qualquer usuário pode inventar um usando o software livre. Isso permite que pessoas criem uma marca no mundo físico, vinculando-o intimamente ao mundo digital. 

O recurso se mostrou uma estratégia genial. Isso porque a empresa quer redefinir a maneira como pensamos sobre as câmeras. Além da ferramenta ser o primeiro passo para a próxima onda da fotografia, que é a interseção entre o real e o inventado. Algo que a realidade virtual trabalha muito. 

Por que os Landmarkers podem mudar a fotografia? 

Desde que foram criadas, as câmeras foram impulsionadas pelas tendências tecnológicas. Mudanças no formato redefiniram a maneira como as pessoas viam o mundo. À medida que a fotografia dos smartphones aumentava e colocava as câmeras online, surgiram novos subgêneros de fotos, evoluindo mais rápido do que nunca. 

No início, os smartphones ofereciam uma qualidade consistentemente ruim. A fotografia móvel era mais estranha dentro dessas limitações tecnológicas. 

Atualmente, é difícil saber se o uso de filtros é pelo gosto ou para encobrir o quão ruins são as fotos. Mas, as câmeras de smartphones ficaram tão boas que os filtros começaram a desaparecer. Ainda assim, eles definiram a fotografia móvel como um formato.

Agora, adesivos, capas, textos em imagens, vídeos verticais e conteúdos que duram 24 horas se tornou normal. E o Snapchat foi pioneiro em muitas dessas ideias, consideradas componentes básicos das redes sociais. 

Snapchat e a fotografia

A fotografia, da maneira tradicional que pensamos, tornou-se mais difícil de extrair inovações técnicas do hardware. Isso é possível ver com o último lançamento do Google. A empresa se concentra em software nos mais recentes dispositivos Pixel, para levar suas câmeras a novos patamares, com recursos de modo noturno e opção de retrato com uma única lente. 

Isso, então, gera perguntas. Como, o que é uma foto ou se o software é para melhorar a foto ou é apenas uma evolução natural da arte? Nesse caso, a resposta é que a fotografia sempre foi fluída e sempre será. 

Nisso, os Landmarkers funcionam como uma nova maneira dos usuários usarem suas câmeras. Além de ser uma aposta da empresa para definir uma categoria totalmente nova para experimentar o mundo de uma perspectiva diferente.

Os Landmarkers usam um vasto conjunto de dados do Snapchat para criar um entendimento preciso das formas dinâmicas, iluminação e pontos de vista do mundo físico. O aplicativo usou milhões de fotos compartilhadas publicamente de seus serviços para criar mapas em 3D de edifícios famosos. Tudo isso torna o recurso difícil para os concorrentes clonarem. 

A realidade aumentada sempre prometeu ideias semelhantes, mas elas nunca realmente chegaram. Isso porque as complexidades da localização, combinadas com o reconhecimento de objetos e os rastreamento espacial, são difíceis sem muitos dados. 

O Snapchat perdeu usuários pela primeira vez em 2019, após anos de crescimento incrível. Por isso, a empresa precisa reconquistá-los. E ainda convencer investidores de que isso é possível.

E os Landmarkers podem ser fundamentais para isso acontecer, ao mesmo tempo que a companhia consegue construir uma defesa contra os imitadores. 

FONTE