Para quem acompanha toda a novela envolvendo o Facebook e a venda de dados, sabe como apps e games fazem isso há anos. E muito vale pelo fato de conseguirem rastrear a localização.

No entanto, essa falta de controle do usuário está perto de mudar. Principalmente com as novas atualizações do sistema, no caso, o iOS 13 e o Android Q. Os sistemas vão fornecer informações mais detalhadas sobre como os aplicativos usam os dados de localização, além de permitir que o usuário desabilite esse acesso, caso algo pareça incompleto.

Segundo a Apple, o novo sistema vai trazer novos controles de localização e recursos de transparência que ajudam a ter um controle maior. Através de pop-ups, a empresa vai mostrar os dados de localização que estão sendo desviados em segundo plano.

No Android não será diferente. Segundo a empresa, quando um app solicitar acesso à localização, será enviada uma mensagem ao usuário. Ela vai permitir que o mesmo escolha entre acesso à localização durante o uso do aplicativo. Ou o tempo todo.

As alterações no Q também vão lembrar o usuário quando os aplicativos acessam aleatoriamente a localização em segundo plano. E ainda vai oferecer ajuda para desativar.

Essa mudança se apresenta como um primeiro passo para acabar com uma exploração que ocorre há anos. Segundo o The New York Times, cerca de 75 empresas recebem e vendem informações para anunciantes. De acordo com o jornal, alguns dos negócios revelaram rastrear até 200 milhões de celulares nos Estados Unidos.

E não só isso. O jornal mostrou que uma empresa, em 2017, possuía detalhes de viagens e informações com alto grau de aproximação. Tanto que alguns aparelhos obtinham mais de 14 mil atualizações diárias dos usuários.

A localização na mão do marketing

Quem deve sofrer com essa mudança são as empresas de marketing. Isso porque dados de localização são valiosos para anunciantes. Justamente porque os dados fornecem um contexto sobre os hábitos offline do usuário.

Por exemplo, se o anunciante conseguir entender que você visita muitas lojas de roupas, esse é um ponto que podem usar para anunciar roupas.

Há também um uso mais complexo dos dados. Caso o anunciante consiga deduzir quando o usuário visita alguém, pode oferecer anúncios segmentados com base em interesses mútuos. Ou seja, mostrar ao usuário sobre uma bebida que o amigo dele consumiu recentemente, por exemplo.

Chamado de look-alike audience, esse processo por ser completamente preciso. Tanto que faz muitas pessoas suspeitarem que anunciantes escutam conversas a partir dos microfones dos celulares.

No entanto, ainda existem propósitos legítimos dentro da coleta de dados. O site Foursquare, por exemplo, rastreia dados de localização para estimar quantas pessoas visitam determinada loja. Assim, é fácil estimar o tamanho das linhas.

A mesma coisa acontece no Google Maps com transporte público.

Como se proteger?

Como os novos sistemas ainda não chegaram no mercado, é importante ter conhecimento do que se pode fazer para evitar essa coleta de dados.

Quando instalar um aplicativo, é preciso estar atento nas permissões solicitadas. E é importante também só liberar o acesso a localização quando for realmente necessário.

Apesar de muitos evitarem, é fundamental ler os termos de serviço e entender as informações concedidas com a autorização. Uma solução também válida é desativar a função nas configurações do smartphone.

FONTES

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