Na última quarta-feira (3), a internet parou. Mas não por algum acontecimento grandioso. E sim porque, simplesmente, nenhuma rede social funcionou naturalmente. O que prejudicou – e muito – campanhas de anúncios.

Para quem tentou utilizar o WhatsApp, Instagram, Facebook e até o Twitter sofreu com bugs e instabilidades. Milhares de usuários, em diversas partes do mundo, tiveram dificuldades no envio de mensagens de áudio e arquivos de mídia.

Com isso, campanhas de anúncios – a maior fonte de renda da empresa de Mark Zuckerberg – também não ficou feliz. Até porque muitas precisaram ser interrompidas devido a falha.

Por grande parte do dia, o Gerenciador de Anúncios do Facebook veiculou o seguinte aviso. “Estamos cientes de que algumas pessoas estão tendo problemas para enviar ou carregar imagens, vídeos e outros arquivos em nossos aplicativos. Além de exportar arquivos como Relatórios. Pedimos desculpas pelo incômodo e estamos trabalhando para que as coisas voltem ao normal o mais rápido possível”.

O próprio Facebook foi o que sugeriu para anunciantes suspenderem suas campanhas por um tempo.

No Twitter ocorreu a mesma coisa. Usuários relataram que o Gerenciador de Anúncios teve problemas, o que impedia o upload das campanhas.

O poder dos anúncios

Ainda que usuários tenham sentido a dor de não conseguirem mandar suas fotos, gifs e figurinhas, quem realmente sofreu foram os anunciantes. E, claro, o próprio Facebook.

Isso porque, 98,9% da receita da empresa no primeiro semestre veio através dos anúncios. Ou seja, a rede depende muito das propagandas. Ainda mais pela empresa – dona também do Instagram e do WhatsApp – ter 2,7 bilhões de usuários únicos mensais. Sendo que 2,1 bilhões, segundo a rede, usam um ou mais desses serviços diariamente.

No entanto, existe certa preocupação quanto ao futuro dos anúncios. Muito pelo fato dessa ter sido a terceira instabilidade duradoura só neste ano. A primeira ocorreu em março, quando a rede ficou com instabilidades em tempo recorde. E a outra em abril.

A falta de certeza sobre uma estabilidade na rede pode provocar alterações de estratégias para os anunciantes. Afinal, a queda da empresa prejudica a divulgação de anúncios, ainda que a companhia não confirmou remuneração para campanhas prejudicadas.

Porém, o que mais provoca preocupação é a falta de uma explicação.

Possíveis acontecimentos

Ainda que a empresa não deixe claro a causa das falhas, existem diversas teorias quanto a isso. Óbvio que criadores de anúncios não podem viver na base de teorias. No entanto, é uma forma de se precaver caso ocorra novamente.

Após o acontecimento de março, a companhia explicou que não foi nenhum ataque DDoS (ataque de negação de serviço). Mas sim, “o resultado de uma mudança na configuração dos servidores”. E na parada de abril, nem explicação, ou desculpas, foram dadas.

Isso contrasta com o que aconteceu no passado. Em 2010, a rede passou por aquela que foi a maior queda até então e convidou Robert Johnson – um dos responsáveis na época – para explicar o ocorrido.

Porém, há nove anos, o Facebook possuía bem menos usuários. E uma renda muito menor. E agora, dona das três maiores redes sociais, as explicações são mais escassas. E as instabilidades, mais constantes.

Uma outra explicação dada é em relação as mudanças nos algoritmos. Entretanto, é raro acontecer instabilidades globais significativas por causa isso.

Para realmente entender o que pode estar por trás da parada, é necessário observar os anúncios recentes em torno do Facebook.

Em 2018 e neste ano, a empresa perdeu grandes nomes parceiros. No caso, os fundadores do WhatsApp e do Instagram e mais o CPO do Facebook (Chris Cox), abandonaram as estratégias de Zuckerberg. Que, no caso, estabelecem uma interligação entre as redes, ao invés de deixá-las independentes.

Tanto que, antes da parada de março, o CEO confirmou que iria integrar todos os serviços de mensagens. O plano é conseguir encripta-los e juntar suas funcionalidades.

Essa mudança pode ser o motivo da complicação dos servidores. E que pode causar as paralisações. Pelo menos é o que acreditam alguns especialistas.

Mas, enquanto a empresa não esclarecer nada, fica o mistério.

FONTES

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