Afinal de contas, ressuscitaram um porco?

Cientistas reativaram as células do cérebro de um porco. Mas será que isso significa que ressuscitaram um porco? Não é bem assim!

Os pesquisadores conseguiram restaurar e conservar as células no cérebro de porcos. Todos os animais haviam sido decapitados cerca de quatro horas antes do experimento, para produção alimentícia.

Porém, os responsáveis pela pesquisa apontaram que “nenhuma atividade elétrica que implicaria um fenômeno de consciência ou percepção” foi detectada. Ou seja, as células estavam ativas, mas não havia vida no cérebro.

O que os pesquisadores viram foi circulação de sangue na maior parte das artérias e em pequenos vasos. Além disso, havia metabolismo e responsividade a drogas no nível celular e até mesmo atividade sináptica espontânea em neurônios etc.

Como foi feito o estudo?

32 cérebros de porcos foram levados para um aparelho chamado BrainEx. Os cientistas irrigaram um produto em alguns dos cérebros durante seis horas. Esse produto tinha o objetivo de substituir o sangue, oxigenando os tecidos do cérebro.

Enquanto os órgãos que não foram irrigados se deterioraram de forma considerável, os outros mantiveram algumas funções.

Depois disso, foi o momento de remover neurônios. Eles foram submetidos a estímulos elétricos e reagiram de forma que permitia estudos mais profundos.

Isso é uma grande descoberta, pois facilitará tratamentos futuros. Esse estudo permitirá que os cientistas isolem partes do cérebro, podendo analisar certas patologias de forma mais aprofundada.

O próximo passo é usar novas tecnologias para tentar manter a atividade cerebral por mais tempo.

Mas seria possível ressuscitar o cérebro?

Os cientistas envolvidos no estudo fizeram questão de deixar claro que eles não sabem a resposta para essa pergunta. Eles não tentaram ressuscitar o cérebro e, por isso, não sabem se isso poderia acontecer.

Por mais que muitos queiram saber a resposta desse questionamento, ela não deve surgir, pelo menos não tão cedo.

Estudos como esse sempre acabam causando dúvidas com relação à ética. Seria certo fazer um estudo como esse em um ser humano? Se nós pudéssemos ressuscitar alguém, seria correto fazê-lo? É possível fazer isso sem causar dor?

E, além de tudo, há mais um problema. Se nós começássemos a tentar ressuscitar pessoas, como ficariam as doações de órgãos?

Fontes 1 e 2

Thaís Dias

Diferentão Cultural