Quem é ou já foi casado, sabe que casamentos são difíceis, assim como empreender no mercado de startups. Embora possa parecer algo clichê ou mais uma metáfora de palestras motivacionais, há uma sintonia entre ambos que é pouco explorada.

Também não se trata de nenhum anúncio de startups para casamentos. O que pretendo aqui é aplicar os modernos conceitos das startups às relações conjugais.

O matrimônio talvez seja um dos ritos mais ancestrais da humanidade. Segundo Fustel de Coulanges, no seu livro “A Cidade Antiga”: “o casamento foi a primeira instituição estabelecida pela religião doméstica e era considerado um ato de extrema importância e seriedade para ambos os cônjuges”.

Já o termo startup foi citado pela primeira na revista Forbes em 1976 para traduzir a emergente cultura de empreendedorismo tecnológico da época, que se popularizou no Vale do Silício durante a década de 90. Afinal, o que duas culturas tão distintas como o tradicional casamento e o empreendedorismo hype poderiam ter em comum?

Semelhanças

De fato uma startup tem algumas semelhanças com os laços matrimoniais. O que é um MVP senão um noivado, um contrato de vesting senão um pacto pré-nupcial e a dissolução do negócio, senão um traumático divórcio?

Juridicamente o casamento se caracteriza pelo ânimos de constituir família, pelo pacto de fidelidade e pela aquisição de bens em comum. Logo, parece não restar dúvidas de que havendo livre consentimento entre os sócios, uma startup é de fato um casamento.

No ambiente de negócios, talvez falte o glamour do vestido de noiva, a emoção das lágrimas nos olhos, o beijo apaixonado dos noivos, o banho de arroz e a lua de mel. Mas o bouquet da noiva é como um pitch, 30 segundos para arremessar sua startup e convencer investidores a disputá-la aos tapas e cotoveladas. A convicção, força e sinceridade do lançamento fazem toda a diferença!

Mas afinal, como transformar seu casamento num ambiente dinâmico e inovador como o das startups? Não é necessário desenhar matriz SWOT, nem estimar o tamanho do mercado, tampouco escrever um plano de negócios perfeito. Basta errar, errar muito! A pivotagem no casamento startup faz toda a diferença.

Comportamento

Isso foi cientificamente comprovado pelo psicólogo John Gottman em parceria com o matemático James Murray. Após analisarem o comportamento de casais por mais de 35 anos de pesquisas concluíram que os casais de maior sucesso e mais satisfeitos com a relação discutem os problemas pequenos ao invés de deixar que eles se tornem um problemão. Problemas são o que movem qualquer startup!

Portanto, desenvolva a habilidade de reconhecer e aprender com os erros. Isso irá tornar o caminho rumo às soluções mais rápido. Mas não adianta fazer isso de forma individualista, é preciso aprender a experimentar os erros em conjunto com sua parceira ou parceiro, afinal o sucesso do negócio depende do comprometimento de todos os envolvidos nele.

Invistam nas suas relações, sejam casais empreendedores, corram riscos, enfrentem desafios e aprendam a lidar com os fracassos juntos. Talvez vocês não tenham soluções para todos os problemas que surgirem, mas um casamento startup poderá ajudar a descobri-las e impulsionar seus projetos para grandes realizações.

Sobre o convidado:

Lucas Ribeiro: Lucas Ribeiro Prado é bacharel em direito, escritor e cientista de dados. Founder da startup Meritocracity.

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