O Google anunciou que seu assistente será capaz de ser intérprete de idiomas. Aparentemente, a nova tecnologia conseguirá fazer traduções simultâneas em 27 idiomas.

Porém não são todos os especialistas que concordam que esse tipo de evolução seja eficaz. Talvez ele funcione bem em uma sala com apenas duas pessoas, mas será que poderá ser usado perante uma audiência lotada?

Como funciona o interprete de idiomas do Google?

Usar o interprete de idiomas do Google é fácil. Basta dizer para o assistente alguma frase como “Google, me ajude a falar em francês”. O Google então irá gerar legendas automáticas.

A seguir, será liberado um segundo microfone para captar a voz da segunda pessoa e fazer a tradução para o idioma da primeira.

Mas será que isso é bom?

Alguém que deseja utilizar o assistente precisa ter em mente que a conversa não será normal. É preciso falar mais devagar do que o usual e abusar das pausas.

Além disso, há o fato de que esse tipo de dispositivo funciona muito bem em salas fechadas. Entretanto, em lugares com sons exteriores ou com um número maior de pessoas fazendo parte da comunicação, a tradução já não é tão eficaz.

Ou seja, apesar de ser uma tecnologia facilitadora, ela ainda possui uma série de limitações. Portanto, a ideia é que ela seja utilizada, em um primeiro momento, só para resolver questões pontuais.

Porém a Google não é a única empresa se dedicando à criação dessa tecnologia. O jornal The Guardian entrevistou o Alex Waibel, do Instituto de tecnologia de Karlsruhe, na Alemanha.

Segundo ele, a ideia desse tipo de dispositivo é “tornar a linguagem uma coisa transparente perante a sociedade”. O professor se dedica há anos ao desenvolvimento de tecnologias como essa.

Atualmente, ele já usa um dispositivo semelhante para poder dar aulas em alemão, permitindo a compreensão de todos os estudantes. Entretanto, sua tecnologia também não funciona em ambientes com ruídos excessivos.

Esses dispositivos eliminarão o ensino de idiomas?

A comunicação é uma das maiores belezas do ser humano. Nós precisamos conversar, temos a necessidade de saber o que outros da nossa espécie pensam.

Por mais que o dispositivo permita que a comunicação seja feita em diferentes idiomas, isso não muda o fato de que você precisaria ler o que seu interlocutor que dizer.

Isso tira da conversa sua naturalidade e as reações. Quantas pessoas preferem ver filmes dublados do que em seu áudio original e com legendas?

Nós temos a necessidade de nos comunicarmos olhando nos olhos. Gostamos de apreciar as reações e dos aspectos físicos de uma conversa.

Por isso, acredito que nenhum dispositivo seja capaz de inutilizar o ensino de idiomas.

Fontes 1 e 2

Thaís Dias

Diferentão Cultural