Ética & Tecnologia

Nunca a tecnologia foi tão invasiva quanto nos dias em que vivemos. Há 70 anos atrás, o que o cidadão comum dispunha de tecnologia para a sua vida, não passava muito do produto das fundições, forjarias, acearias e seus inúmeros subprodutos de metal que proporcionavam as ferramentas e utensílios que necessitávamos para viver.

Não existia a tecnologia embarcada na vida ou, ainda, estava em sua pré-história e era possível, somente, nas telas, nos filmes de ficção científica ou em livros. Neste momento a tecnologia era algo externo ao indivíduo. O indivíduo e a tecnologia se diferenciavam, não se fundiam, eram duas coisas muito diferentes entre si.

Hoje tudo mudou, parece que estamos em outro planeta e a tecnologia começa à penetrar em nossas vidas muito mais do que imaginamos que poderia acontecer. Agora, ela penetra em nossos corpos. Em nossos dias estamos testando chips que substituem a função do hipocampo em nosso cérebro. Há indivíduos com próteses de todas as naturezas em substituição de partes do seu corpo que já não serviam tão bem ao organismo. Estamos reproduzindo células através de clonagem, implantando braços biônicos, implantes oculares que podem curar diversos tipos de cegueira, navegando no limiar da produção de órgãos artificiais e construindo células artificiais à partir de polímeros. Esta é a ciência ou tecnologia de fronteira e, por sua natureza, invasiva.

Estamos desafiando os limites do que entendemos como cognição, até há pouco tempo considerada uma especificidade humana. Já em nossos dias há uma enorme dúvida sobre a possibilidade da inteligência artificial, ligada em nuvem, poder tomar decisões que impactarão sobre nossas vidas como gerenciamento hídrico, energético, produção de alimentos, gerenciamento da informação, etc..

Em nossos dias o homem está, lentamente se fundindo fisicamente com sua tecnologia. Não poderia ser diferente, é assim mesmo que nos desenvolvemos, superando limites ou tornando-os cada vêz mais distantes, ou seja o que era limite ontem já não é mais limite hoje.

Isto tráz enormes desafios Éticos e uma avalanche de indagações que, só poderemos respondê-las coletivamente. Não será uma mente extraordinária ou um líder que trará a resposta à estes novos desafios éticos, mas nossa capacidade de decidir, coletivamente o que vamos fazer quando dispormos de tecnologia para salvar uma vida, por exemplo, mas decidimos não salvá-la pela impossibilidade da remuneração pelo uso desta mesma tecnologia. Está é uma das graves questões éticas que dependendo da orientação ou da decisão tomada, coloca o uso da tecnologia acima da vida, ou seja, a vida só será possível para quem pode arcar com os custos desta tecnologia. Aos demais, que não podem pagar por este uso, boa sorte. Percebem a grave profundidade de uma situação similar? Se observar bem, já estamos vivendo este problema ético.

Quem é contrário ou averso à tecnologia, os ludistas modernos, não perceberam que a produção tecnológica é uma expertise humana e nos torna mais humanos. O cerne do problema não é se produzimos ou não tecnologia, mas sim o que faremos com ela. Como iremos usá-la à serviço da vida? Esta é uma questão ética e não tecnológica.

Esta preocupação já chegou ao homem comum na forma de insegurança, para nosso vizinho ou ao nosso colega de trabalho. Percebemos, claramente, esta preocupação quando terminamos de ministrar uma Palestra sobre Ética e dedicamos aquela meia hora para dirimir dúvidas ou mesmo algum debate com os mais sensibilizados. O que acontecerá quando a maioria de nossas atividades forem possíveis de serem executadas por sistemas, robôs ou pela indústria 4.0 ? O que faremos? Viveremos do que? Esta é uma das perguntas mais presentes e a resposta é sempre a mesma.

Ora, se ética é o esforço intelectual que o ser humano realiza para decidir a melhor forma de convívio, faz da ética um esforço coletivo. E se o coletivo produz, constantemente, novos meios e recursos que impactarão em nossas vidas, esta resposta estará sempre por ser construída e teremos de construí-la sempre juntos, coletivamente, não há outro caminho. Seja qual for esta resposta, devemos criar novas atividades e novas formas de viver, para que possamos seguir adiante em nosso desenvolvimento, tanto tecnológico quanto ético.

Invocamos aqui o pensamento do notável Einstein para encerrar esta reflexão : Não existem respostas estáticas para explicar algo que é, fundamentalmente, dinâmico.

Só existirá uma resposta estática, quando nos tornarmos estáticos, sem deslocamento no saber, sem desenvolvimento humano ou tecnológico. Enquanto houver desenvolvimento, seja ele qual for, teremos de gestar, sempre, novas respostas para novos desafios.

Autor Convidado :

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