Transcendendo a bolha

O surgimento da internet foi sem dúvida algo que revolucionou as relações entre as pessoas, os mercados, a forma de comunicar e principalmente de fazer negócios. Naquele momento, conceituava-se a rede como um “lugar” aberto, inclusivo, democrático, interativo; a ciberdemocracia. Uma importante ferramenta de conexão das pessoas a um ambiente ilimitado de informação no qual teríamos acesso a diferentes pontos de vista e novas perspectivas, acabando assim com a alienação e o senso comum.

Ao contrário da grande e tradicional mídia de massa, na internet não havia a seleção da informação feita por grupos de editores, os quais estavam por trás dos jornais e da TV e onde o que se evidenciava era o emissor e não havia espaço, nem oportunidade, para a manifestação do receptor. Na grande rede o contato do usuário com a informação era espontâneo.

Era um oceano infinito de oportunidades para novas descobertas conforme ratifica Lévy:

Quanto mais ativamente uma pessoa participa da aquisição de um conhecimento, mais ela irá interagir e reter aquilo que aprender. Ora, a multimídia interativa, graças à sua dimensão reticular ou não linear, favorece uma atitude exploratória, ou mesmo lúdica, face ao material a ser assimilado. (LÉVY, 1993, p.40).

Contudo, de modo a organizar essa imensidão de informação, e face à necessidade de se obter o máximo de informação em um curto espaço de tempo – fato já evidenciado em 2007, quando da chegada do jornal METRO ao Brasil, o qual para concorrer com a internet tinha o conceito de apresentar todo seu conteúdo de forma rápida e eficiente – foram criados os filtros da internet. Baseados no histórico de comportamento de navegação do usuário, os algoritmos da web filtram o que consideram ser relevante para um determinado usuário sem que esse tenha qualquer intervenção nessa seleção. Podemos até afirmar que essa opacidade no comportamento do usuário pode ser considerada herança passiva dos meios de comunicação de massa.

Assim, de acordo com Eli Parisier, autor do best-seller The Filter Bubble, “Para os usuários, os dados fornecem uma chave para ter acesso a notícias relevantes e resultados personalizados, mas para os anunciantes, os dados são a chave para encontrar prováveis compradores”.

 Ora, sendo a internet uma importante ferramenta do capitalismo, nada mais natural do que ela ser utilizada para gerar lucro. Porém, essa manipulação do usuário frente aos chamados filtros bolha e a falta de transparência dos mesmos é o que nos leva a um sério dilema. É um retrocesso frente ao avanço que a rede trouxe quando nos tornou receptores ativos.

Os filtros tiram do usuário a chance de confrontar ideias, de modo que este último perde a oportunidade de chegar às suas próprias conclusões uma vez que a “comodidade” de se encontrar direcionado para aquilo que de certa forma lhe é relevante, em meio à velocidade com que se precisa chegar ao resultado das coisas, siga pelo caminho mais fácil, mas, que lhe tolhe a interação entre a mente e o ambiente e lhe obstrui o caminho para a inovação e para a criatividade.

A bolha informacional na qual estamos inseridos nos leva de volta à alienação. É muito mais confortável estar envolto em um ambiente onde as opiniões corroboram com as nossas em vez de buscar evidências divergentes para enriquecer o nosso conceito sobre as coisas.

 Assim, empresas para serem vistas precisam investir cada vez mais dinheiro em anúncios online, porém, não estão transmitindo informação de qualidade ao consumidor; estão apenas panfletando na rede em busca de venderem seus produtos.

Frente a esse cenário, o marketing de conteúdo tem uma grande oportunidade: educomunicar. A educomunicação* pode ser considerada um caminho para informar rapidamente, mas com qualidade e responsabilidade, esse usuário já acostumado ao comodismo da bolha.

As empresas muito mais do que vender, para serem vistas nesse ambiente tão “seleto”, terão que se preocupar com a comunicação educativa de seus anúncios e com o diálogo com seus clientes e principalmente, em como engajar e conquistar os clientes em potencial.

Assim, os filtros bolha, como toda bolha, são frágeis e suscetíveis a estourar a qualquer momento. Quem estiver preparado para estar bem posicionado, com informação realmente relevante, transcenderá a bolha e chamará a atenção do usuário. Mais do que investimento financeiro para estarem nas primeiras posições do Google ou no Feed de notícias do Facebook, as empresas, e comunicadores em geral, terão que apresentar diferencial naquilo que comunicam para que se destaquem.

É preciso sensibilizar e reeducar o usuário da web, atrair sua atenção com as “n” ferramentas que o marketing de conteúdo dispõe, de modo que esse se sinta interessado no que está sendo ofertado a ele, tome a ação de sair da sua zona de conforto e busque outras fontes de enriquecimento informacional.

*é um campo teórico-prático que propõe uma intervenção a partir de algumas linhas básicas como: educação para a mídia; uso das mídias na educação; produção de conteúdos educativos; gestão democrática das mídias; e práticaepistemológica e experimental do conceito. ( Wikipédia).

Sobre o convidado:

A Z-THA Digital é uma agência on-line de marketing digital, com foco em atender pequenas e médias empresas, microempreendedores individuais e startups.

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