A relação entre as mulheres e a informática

Atualmente pode ser difícil acreditar, entretanto, as mulheres já foram a maioria no mundo da tecnologia. Esse pioneirismo tem como justificativa o fato de que os computadores  foram usados, inicialmente, para fazer cálculos e processar dados, atividades que eram, principalmente, empreendedoras femininas.

Nos Estados Unidos, as mulheres que se dedicavam à informática eram chamadas de computadoras por seus chefes e sua função era, basicamente, cuidar dos cálculos.

Felizmente, as mulheres não se limitaram ao seu trabalho e foram responsáveis pelo desenvolvimento de algorítimos e programas que deram ainda mais serventia para os computadores.

A  informática e a matemática

Um dos principais fatores que levaram as mulheres a optar pela área da informática foi a sua relação com a matemática – que também era uma disciplina majoritariamente feminina.

As primeiras turmas do curso de informática eram formadas por estudantes que migraram do curso de licenciatura em matemática.

Ada Lovelace, a criadora do primeiro algorítimo da informática, o criou sem a necessidade de uma máquina na qual ela pudesse conferir o seu trabalho. Ada desenvolveu seu estudo a partir de traduções de textos do matemático Luigi Menabrea. A veracidade de seus estudos só foi comprovada depois de sua morte.

Matemática

Matemática

A informática na Segunda Guerra

Durante a Segunda Guerra Mundial a informática foi muito impulsionada pelo fato de que os países mais envolvidos com a guerra desejavam ter o poder de calcular as rotas de mísseis e alcançar tecnologias mais rapidamente.

As mulheres eram mais contratadas para esse tipo de função, não apenas por serem a maioria entre os trabalhadores capacitados, mas também pelo fato de que a maioria dos homens havia sido enviado para guerra.

Betty Snyder, Marlyn Wescoff, Fran Bilas, Kay McNulty, Ruth Lichterman e Adele Goldstine – as “garotas do ENIAC – foram um grande exemplo de investimento na área tecnológica. Elas foram contratadas para  programar o primeiro computador digital, criando tudo do zero, em uma época na qual ainda não existia uma linguagem de computação.

O programa que elas desenvolveram era capaz de fazer, em segundos, cálculos que levavam uma média de 30 horas para serem realizados.

Elas só conseguiram finalizar o programa depois da guerra, mas quando o fizeram, ele se tornou uma sensação por facilitar a vida de quem trabalhava com os cálculos.

No pós guerra, as mulheres continuaram trabalhando no programa, já que a maioria dos homens tinha interrompido seus estudos para lutar por seu país.

Infelizmente, na década de 90 foi divulgado que as mulheres que apareceram nas fotos divulgando o programa ENIAC eram modelos contratadas para “embelezar” o programa.

As mulheres se afastam da informática

Hoje em dia todo mundo conhece o nome de muitos homens que fazem parte da história da informática. Enquanto isso, o nome das mulheres ficou esquecido na história, o que não permitiu que elas influenciassem jovens meninas no começo de suas carreiras.

Além disso, as propagandas dos computadores foram feitas tendo como público-alvo os meninos, o que os tornou desinteressantes para as meninas em fase de desenvolvimento e escolha da profissão.

O curso de matemática também se tornou menos interessante para as meninas. O ensino fundamental não incentiva meninas na busca por profissões que envolvam matérias de exatas.

Esse conjunto de fatores fez com que as mulheres se afastassem das áreas tecnológicas. Hoje elas são a minoria nos cursos técnicos e universitários. Entretanto, com os computadores fazendo parte de cada segundo da nossa rotina, fica cada vez mais claro que as mulheres precisam se envolver com os conteúdos tecnológicos, pois só assim será possível atingir o completo potencial de desenvolvimento mundial.

Fontes: https://g1.globo.com/educacao/noticia/como-as-mulheres-passaram-de-maioria-a-raridade-nos-cursos-de-informatica.ghtml

http://www.revistacapitolina.com.br/eniac-e-pioneiras-esquecidas-da-programacao/

Thaís Dias