Startups brasileiras estão prosperando apesar da burocracia

Em meio a notícias de recessão, medidas de austeridade e sucessivas séries de escândalos de corrupção em larga escala, o Brasil parece um lugar hostil para empreendedores. Entretanto, o cenário não é desanimador, muito pelo contrário. De fato, nenhuma lista de cidades com startups emergentes estaria completa sem mencionar São Paulo, que é um fantástico ambiente para startups.

Isto se dá porque muitas potências tecnológicas multinacionais e regionais agraciaram as cidades brasileiras com sua aprovação. Por exemplo, Google, Airbnb e Uber criaram escritórios em São Paulo; No caso do Google, o seu escritório de São Paulo é um cruzamento entre um espaço de coworking, acelerador e centro de rede – uma espécie de fábrica de startups completa e abrangente.

No entanto, essa força na tecnologia decorre de uma série de fatores complexos, às vezes contraditórios. Visto de cima, a cena tecnológica brasileira é, sem dúvida, impressionante. Um contraste acentuado com outros setores em dificuldades da economia.

No entanto, pode-se dizer que o cenário Brasil se divide empresários, técnicos motivados e funcionários do governo que alternam entre o apoio e a lentidão burocrática.

O papel misto do governo

O Brasil é infame por sua burocracia. Um estudo realizado em 2015 pelo Banco Mundial estimou que as empresas brasileiras gastaram 2.600 horas preenchendo documentos para impostos, o que é cerca de três vezes mais do que a Venezuela (que não é exatamente conhecida pelo seu governo simplificado) e 15 vezes mais do que a média em países europeus. Na mesma linha, as empresas brasileiras passaram 15 dias a mais para exportar um produto do que a maioria das outras nações. Por todo esse problema, o Brasil ocupa a posição 123 de 190 países na base de dados sobre a facilidade de se fazer negócios do Banco Mundial, embora tenha havido algumas melhorias nas áreas de contratos, registro de propriedade e comércio transfronteiriço.

No entanto, apesar desta estagnação burocrática, os estados brasileiros estão tomando a iniciativa e oferecendo incentivos para atrair empreendedores. Em Minas Gerais, por exemplo, foi desenvolvido o programas de incubação Seed. Criado pelo governo estadual em 2013, o Seed é um programa de seis meses que é igualmente uma aceleradora, um ecossistema de startups, um espaço de coworking e investidor anjo (embora sem o requisito de equidade). Além disso, existem programas similares em todo o país, como o Investe São Paulo, o Porto Digital, de Recife, e o Tecnopuc, de Porto Alegre.

O fator humano

Por um lado, a intervenção estratégica do governo gerou um ecossistema tecnológico próspero que abriga uma grande variedade de empresas de capital de risco, incubadoras e uma comunidade vibrante de fundadores e trabalhadores talentosos. Por outro lado, a burocracia governamental continua a ser um obstáculo muito real para os empresários, com problemas persistentes em várias áreas do negócio, especialmente nas áreas contábil e de tributação de impostos..

Uma das razões para o sucesso do setor tecnológico apesar da burocracia é o capital humano, especificamente os ecossistemas empresariais bem organizados e acolhedores. Ser empresário em um país como o Brasil é inerentemente um ato de resiliência. O empreendedorismo brasileiro também é um curso intensivo de autonomia e iniciativa.

O contínuo desempenho do setor tecnológico também pode estar relacionado à recessão: o Brasil, famoso por preços elevados, mesmo antes da recessão, viu os preços subirem ainda mais. Como resultado, os consumidores estão se voltando cada vez mais para o comércio eletrônico, o que oferece preços mais baixos e experiências mais convenientes do que os varejistas tradicionais.

Conclusão

Em última análise, quando se trata de startups, o Brasil é um paradoxo dinâmico e popular. Mesmo que o setor tecnológico seja o setor mais lucrativo e com mais recursos, o país tem tido algum sucesso apesar de alguns obstáculos bastante significativos. Na verdade, a tecnologia pode muito bem ser a última e melhor esperança para o Brasil.

Sobre o convidado: 

Mikael Araújo é consultor de e-commerce pelo Sebrae do Ceará.

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