EMPREENDER PARA O PÚBLICO B2C OU B2B?

Em quase 05 anos como blogueira de tecnologia e pessoa de negócios, tenho me deparado com diversas situações onde os empreendedores têm ideias incríveis, focadas no público B2C (business to customer), mas que no final das contas não conseguem usuários suficientes para que validem seus negócios. Por isso, para não fechar as empresas, esses empreendedores pivotam os negócios para atender o público B2B (business to business).  A questão então é, porquê é tão difícil um negócio B2C?

Para responder, temos alguns aspectos que podemos abordar, como:

Early Adopters: são pessoas que estão aptas ao uso de novas tecnologias. Eles testam e se gostarem do produto ou serviço, irão compartilhar com os amigos ou implementar nas empresas que trabalham. Porém, nem sempre é legal ter um perfil de usuário que adora novas tecnologias, pois no Brasil consumimos muitas startups de fora, “depreciando” o mercado nacional.

User Aquisition (aquisição de usuários): esse realmente é um custo que ninguém espera. Muitas pessoas desenvolvem toda a empresa (os códigos) para irem validar o mercado e se deparam com algo que ninguém gosta. O produto dele não é viral, e é preciso colocar mais investimento para que as pessoas consigam enxergar sua ideia. Empresas de RP (relações públicas) se especializaram em startups para trabalhar com a mídia, pois os usuários brasileiros ainda adoram consumir coisas que estão “em alta”. O desafio é conseguir uma capa de uma revista quando sua empresa só tem as linhas de código. Jornalistas querem números, conversões, entregas. É um mercado muito competitivo e que os empreendedores ainda estão aprendendo a lidar.

Diante desses aspectos, será que o mercado B2B é mais fácil? A resposta é não, porém existem formas de o empreendedor conseguir manter sua empresa até que consiga um maior investimento para escalar e expandir sua empresa. Desde que eu comecei a trabalhar com negócios, há 16 anos, as formas de vender para clientes B2B mudaram muito, mas eu entendo que a essência é a mesma. Hoje temos e-mail ou redes sociais voltadas à negócios e muitos outros recursos. Isso, no meu ponto de vista, faz com que tenhamos mais acesso às pessoas que vamos precisar abordar, porém todo mundo está fazendo isso e a grande pergunta é: como eu vou ser percebido nesse mundo de empreendedores querendo fazer a mesma coisa?

A primeira dica é: as empresas precisam inovar e não sabem disso ou, se sabem, precisam aprender por onde começar. As startups podem ser o pontapé inicial nesse processo e alguns grandes players no Brasil já começaram a aproximação nesse mercado, desenvolvendo programas internos para atração de startups e empreendedores, por meio das Hackatons, que acontecem todas as semanas em diferentes pontos do Brasil; editais do governo; e mais patrocínio à diversos eventos de fomento ao empreendedorismo tecnológico.

Mas se a ideia é ter uma startup B2B, a forma mais prática é conversar diretamente com essas empresas e tentar se transformar em fornecedor delas, pois uma vez que você conquistou esse lugar, será muito difícil de trocarem sua solução por outra. Diferente dos usuários finais, empresas buscam estabilidade com seus fornecedores, não cada dia uma melhor oferta ou condição.

Ainda sobre o mercado B2B, posso elencar algumas dicas para se sair bem, como: Valide seu Negócio; mapeie o Mercado; atue com geração de Leads; venda sua ideia. Esse último ponto pode ser por meio de televendas, reunião presencial, calls, e-mails ou outros formatos.

Para finalizar, podemos levar em consideração diversos outros fatores que não citei no artigo. Aqui no Brasil, qualquer empreendedor, seja B2C, B2B, P2P ou atue sob outro modelo, vai encontrar dificuldades burocráticas para abrir ou mesmo fechar a empresa, difícil acesso ao capital de risco, altas taxas de juros quando esse capital vem dos bancos, política instável e a inflação.

Ainda assim, as oportunidades são infinitas quando você foca primeiro na construção de uma base sólida e depois se aventura em mercados mais difíceis, com investimento próprio ou com investimento de terceiros. Não esqueçam que no Brasil temos que criar as oportunidades, mostrando valor ao mercado. Não é viral criar uma startup, mas é sensacional quando dá certo, quem sabe teremos uma empresa unicórnio em breve por aqui?

Empreender é algo que está na moda, mas é de uma responsabilidade muito grande. Seja curioso, coloque as mãos na massa, converse com pessoas sobre a sua ideia e quando tudo estiver fluindo, volte ao mercado e ajude as outras empresas. Empreendedor de verdade reinveste no ecossistema que está inserido.

Bons Negócios!

Talita Lombardi

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