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Tiago Mabilde - Co-founder at Pipa

Tiago Mabilde – Co-founder at Pipa

Hoje a segunda parte da entrevista com o Tiago Mabilde, Co-Founder da Pipa, uma das aceleradoras do Start-UP Brasil.

Vamos direto as perguntas e resposta, pois tem muito conteúdo por aqui. Aproveitem!

Talita: Como funciona para conseguir um investimento de vocês?

Tiago: “Temos um processo de seleção pelo nosso site, um formulário para seleção de empresas, em uma segunda etapa ocorrem entrevistas de forma remota e/ou presencial. Entre os critérios que avaliamos na seleção, posso citar equipe, a nossa capacidade de ajudar e o potencial de impacto sócio-ambiental do negócio que é uma característica da Pipa.

Como a Pipa é uma das aceleradoras do Start-up Brasil. Agora também temos o processo seletivo que é enviado diretamente ao MCT (Ministério de Ciência e Tecnologia), conforme previsto no edital, as empresas que quiserem se candidatar para este programa, tem que utilizar a plataforma criada pelo governo e a seleção final das empresas, é responsabilidade de um comitê criado pelo Start-up Brasil, é liderado pelo MCT. Gostaria de aproveitar e mais uma vez parabenizar o Governo Federal e o MCT pela iniciativa Start-up Brasil, que acredito que vai contribuir muito com o desenvolvimento do Pais e especialmente com o ecossistema empreendedor. Uma recomendação importante, é que os empreendedores se inscrevam tanto no site da Pipa como no portal do Startup Brasil.”

Talita: Sobre a questão do CNPJ ou MEI?

Tiago: “Pelas informações que recebi até agora, é obrigatório que a empresa exista, isto é, tem que ter um CNPJ, ou no mínimo um MEI que é mais simples de fazer, é pode ser mais adequado aos empreendedores que estão em uma fase mais inicia.l É um critério do edital que de certa forma acaba sendo um filtro, é uma quantidade de recursos boa neste primeiro momento, 200 mil reais por startup. Acredito que é um critério correto e importante solicitar que as empresas/empreendedores estejam formalizados.”

Talita: Como será o repasse?

Tiago: “O dinheiro vai direto para os empreendedores, as aceleradoras não recebem nenhuma parte destes recursos, a liberação deve ser de acordo com metas, montamos um plano de ação/trabalho junto com o empreendedor, que é basicamente o ciclo de aceleração, que nosso caso é de 6 meses, então montamos esse plano, o que será feito, o que será executado, quais serão as metas, os objetivos e a liberação dos recursos acontece mensalmente em no máximo 12 meses.

Esse é o trabalho da aceleradora, fazer esse acompanhamento, tem que garantir que as coisas estão acontecendo  que o dinheiro está sendo aplicado de uma maneira correta, a aceleradora não recebe nada, 100% para o empreendedor e nossa contra-partida como aceleradora é investir junto, de manter a estrutura, de receber todas essas pessoas, manter a equipe e o acompanhamento, que é um investimento significativo da nossa parte.”

Talita: Vocês recebem ações das empresas, existe uma média?

Tiago: “Isso varia muito de aceleradora para aceleradora, algumas tem percentual fixo. No caso da Pipa, depende do estágio da empresa. Tem empresas que tem zero de receita, tem outras que já estão no estágio mais avançado com clientes, receita, lucro, então isso vai ter uma negociação entre o empreendedor e as aceleradoras que vai determinar qual o percentual, uma coisa de comum acordo. Normalmente algo entre 5 e 20%.”

Talita: No Brasil as porcentagem são muito maiores que nos Estados Unidos, por que?

Tiago: “Não diria muito maior, é um pouco maior na média, basicamente porque o mercado é mais maduro nos Estados Unidos em todos os aspectos.

Tem mais investidores e investimentos, os empreendedores são mais bem preparados a cultura é muito mais empreendedora, as universidades são melhores estruturadas.

O mercado de startups, early stage, seed capital, aceleradoras é novo no Brasil, estamos em um estágio inicial, porém acredito que estamos no caminho certo. Sou bastante otimista, temos ótimos empreendedores no Brasil, temos boas ideias, bons projetos, o brasileiro é bastante criativo e flexível o que acredito serem características importantes quando estamos tentando encontrar soluções para problemas, temos brasileiros ocupando cargos de destaque em grandes empresas no mundo todo, isso mostra que temos boas cabeças no Brasil, porém muitas vezes estes talentos tem que sair do Brasil, o que sonho e desejo e que nosso maiores talentos possam empreender e desenvolver seus negócios aqui.
Falta ainda apoio, estrutura e investimentos para ajudar estes empreendedores a desenvolverem seus negócios, o surgimentos de aceleradoras e a participação do governo neste ambiente, são bons exemplos de iniciativas de apoio, estrutura e investimento.
Acredito que vamos ter ótimas empresas e bons negócios nos próximos anos.”

Talita: O que falar para quem só pensa em investimento?

Tiago: “O foco não é montar a empresa para receber investimento, tem que montar uma empresa para resolver um problema e satisfazer um cliente, esse é o objetivo principal de qualquer empresa. Teve muita empresa que nasceu, teve sucesso e não recebeu investimento. Eu já montei empresas onde algumas tiveram investimentos e outras não, acho que é a aceleradora muitas vezes ajuda mais do que dinheiro. Quando comecei a a empreender não existiam aceleradoras, o processo de aceleração é sem dúvida um atalho, uma energia extra, um impulsionador. Mas eu acho que o cara que monta uma empresa pensando somente em receber investimento, começou errado, ele está com o foco errado, acho que ganhar muito dinheiro ou receber investimento é uma consequência de um trabalho bem feito, ele não é o fim, é uma consequência de fazer um produto muito legal, de satisfazer os seus clientes, de resolver um problema, uma necessidade que é de muitas pessoas, um problema/necessidade da sociedade. Muitas pessoas empreendem pelos motivos errados, “eu quero empreender porque eu não quero ter chefe” “eu quero empreender porque eu quero ficar rico, porque é cool” eu acho que são todos os motivos errados para se empreender, tem que empreender porque você tem uma paixão, porque você está vendo uma coisa que incomoda demais e se quer resolver esse problema e se conseguir fazer isso bem, consequentemente você vai ganhar muito dinheiro e você vai receber investidores, eles virão atrás.

Tem muitas coisas que podem ser feitas sem investimento, claro que existem negócios que precisam de capital intensivo, claro que dinheiro é importante quando você precisa comprar um equipamento, ou viajar, ou contratar pessoas, porém na minha experiência como empreendedor, quando eu olho para trás, acredito que o que mais teve valor e foi decisivo, foram as pessoas que me ajudaram e essa ajuda dificilmente eu conseguiria comprar. Caiu muito os custos para montar um novo negócio, principalmente na área de tecnologia/web/mobile, hoje é possível montar um produto/protótipo com pouco dinheiro.

Tem que trabalhar no que gosta e focar no problema que valha a pena ser resolvido, ter pessoas legais, atrair um time, talentos. Ninguém consegue fazer nada sozinho, acredito muito no time e na complementaridade de perfis.”

Talita: Dicas para o Empreendedor que está começando

Tiago: “Encontrar a sua paixão, seu propósito de vida, sua vocação, um problema a ser resolvido, encontrar um time qualificado, sócios complementares e trabalhar muito duro com persistência, o resto é consequência. Quando se faz um trabalho sério, bem feito, de forma honesta, eu acredito que os resultados acontecem. ”

Tiago, sua participação aqui no Blog foi incrível! Muito obrigada e muito mais sucesso para vocês!

Sobre a Pipa: “O nosso objetivo é formar empreendedores que realmente tenham um forte compromisso por construir negócios com impacto positivo no mundo GERANDO VALOR FINANCEIRO, SOCIAL E AMBIENTAL”

A Pipa fica no Rio de Janeiro, contato: oi@pipa.vc

Facebook: https://www.facebook.com/piparj

Beijos!

@talilombardi

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